Danilo Martins tem 58 anos e uma larga experiência como treinador de futsal. Sua carreira se desenvolveu em clubes do Brasil, Espanha, Rússia, Qatar e Kuwait. Não consegue viver sem futebol, churrasco e um bom chimarrão. Por todos os lugares que passou, procurou, de alguma forma, manter os costumes que aprendeu em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste, sua cidade natal.
No Kuwait, onde vive atualmente com a mulher e a filha, Danilo é o assador de um grupo que gira em torno de 50 pessoas, todos brasileiros. Eles se reúnem semanalmente para comer churrasco e recordar um pouco da vida no Brasil. Nos países árabes, o assado é feito com guisado ou pedaços de frango. A carne de porco é proibida entre os muçulmanos. Como não existe espeto, a carne é assada na grelha. O que não chega a ser um grande problema para um gaúcho da fronteira.
Danilo é o assador do grupo chamado de
CTG Atolados no Petróleo (Foto: Arquivo pessoal)
CTG Atolados no Petróleo (Foto: Arquivo pessoal)
“Um segredo que levo comigo é o seguinte: fazer amizade com o açougueiro. Tendo amizade com este cara, tudo fica mais fácil. Os cortes não são iguais aos nossos no Brasil. Assim, com uma boa conversa, eles fazem da maneira que pedimos. Ele separa para nosso grupo as carnes que vêm da Nova Zelândia e Austrália”, conta treinador do time de futsal do Al Kuwait Sporting Club.
O futebol gaúcho também não foge da pauta na residência da família Martins no Oriente Médio. Dentro de casa a rivalidade Gre-Nal impera. Danilo e a filha Manuela são colorados fanáticos. A mulher Viviane torce para o Grêmio. “Queira ou não, a corneta sempre pega aqui em casa. Sempre acompanhamos os jogos pela internet na rádio e, quando damos sorte, assistimos as transmissões de algum jogo da Dupla pelas TV Al Jazeera (Qatar) ou Sharjah (Emirados Arabes)”, relata.
Com a filha Manuela, não esquece do amor ao
Colorado (Foto: Arquivo pessoal)
Colorado (Foto: Arquivo pessoal)
"É pela Rádio Gaúcha também que mantemos contato diariamente com o Rio Grande amado. Praticamente 24 horas por dia estamos conectados acompanhando o que se passa no nosso estado", completa o técnico de futsal.
Nos meses de inverno no Rio Grande do Sul, a temperatura beira os 50ºC no Oriente Médio. Mesmo assim, a erva-mate e a cuia são artigos de primeira necessidade. Danilo e a família não abrem mão do chimarrão servido ao chiar da chaleira. “Aqui é impossível encontrar erva-mate. Então, quando termina a que temos, começamos a encomendar para os que estão vindo. Manter as tradições em um país árabe é difícil, mas não impossível. Basta adaptar-se e não fugir à peleia”, recomenda, em um vocabulário bem gaudério.
g1.com.br/rs







Nenhum comentário:
Postar um comentário